ESCRITOR | MÚSICO | TRADUTOR LITERÁRIO

manuel alberto vieira

Escritor, músico, compositor, tradutor literário e fotógrafo nas horas vagas.

Nascido em Braga em 1979, licenciou-se em Línguas e Literaturas (Português/Inglês). É autor do livro de poesia Da Pétala, Gume (Cutelo, 2023), do romance Um Pássaro no Arame (Caixa Alta, 2023), e dos livros de contos Teatro Vertical (Snob, 2017) e Caderno de Mentiras (Eucleia, 2012). Entre os muitos autores de ficção e poesia que traduziu, destacam-se nomes como Dylan Thomas, Jon Fosse, Osamu Dazai, Ali Smith, Max Porter, Edna O’Brien, Donald Ray Pollock, Patricia Lockwood, Tomas Tranströmer, Mahmoud Darwich, James Wright, Anne Sexton, W.S. Merwin, Arseny Tarkovsky, Thomas Merton, Max Ritvo, Yannis Ritsos, entre muitos outros.

A sua tradução de Deserto Sonoro, de Valeria Luiselli, valeu-lhe uma Menção Honrosa no Grande Prémio de Tradução Literária da APT 2021.

Baterista em vários projectos musicais ao longo dos anos, lançou em 2025 o EP Comala, integralmente composto e gravado pelo próprio.

 


livros


tradução

críticas

Sara Figueiredo Costa
jornalista cultural
«Um Pássaro no Arame, de Manuel Alberto Vieira, é um livro desconcertante — e o adjectivo não é aqui aplicado por ser sonante. Desconcerta, no verdadeiro sentido da palavra, esta narrativa de frases secas, curtas, simultaneamente descritivas da acção e reveladoras do labirinto que se guarda na cabeça de cada personagem. É uma narrativa estranha, porque essa secura do verbo contrasta intensamente com o que se vai revelando, mesmo que nada pareça acontecer (sobretudo aí, quando nada parece acontecer). Há uma linha cronológica e há personagens bem definidas, com uma caracterização psicológica extremamente minuciosa, que prescinde das grandes descrições de carácter e se forma pelo conjunto de gestos, indícios e pensamentos. Há acção e uma atenção ao detalhe com que esta se constrói, o texto sempre perseguindo os sinais, aquilo que se revela em cada movimento e em cada decisão das personagens. O que não há é uma estrutura que nos ampare enquanto lemos — e isso não é acidental, claro. A possibilidade de uma estrutura, esboroando-se à medida que o livro avança, tem o seu espelho no desamparo das personagens, sobretudo a de Alberto, personagem central. Este é um texto que procura a sua própria forma, construindo-se à medida que arrisca verbalizar aquilo que suspeitamos arredado da possibilidade de linguagem. Desconcerta, sim, mas é nesse desconcerto que nos faz encontrar um fio possível para o labirinto onde memória e falha acabam por encontrar-se (e encontrar-nos).»
Paulo Faria
escritor e tradutor literário
«Coisas que estavam esboçadas nos seus contos (excelentes, na sua esmagadora maioria) ganham aqui um fôlego maior. Esta é uma escrita que não faz concessões. [...] Esta abdicação e ausência de concessões atravessa todo o romance, que nos escorrega entre as mãos, sem que o consigamos propriamente agarrar. Anda por aí muita literatura menor, com manual de instruções e mapa do tesouro, a mandar-nos unir o ponto A ao ponto B, e este ao ponto C, para obtermos o desenho perfeito, recortado pelo picotado. Um Pássaro no Arame é uma tempestade de areia que passa por nós e nos deixa cheios de sede, esgazeados, sem percebermos muito bem o que nos aconteceu. Magnífico.»
Ana Rita Sousa
professora de língua,
cultura e literatura
«O estilo elíptico da sua prosa, trabalhando uma sintática moldada a régua e esquadro, particularmente difícil de atingir nas línguas românicas (naturalmente perifrásticas), vai à procura de um público específico, demonstrando uma consciência rara entre o universal e o local. A sua prosa, na esteira do que têm vindo a demonstrar outros autores que estão menos expostos à luz dos holofotes, como Ana Teresa Pereira ou Teresa Veiga, vem provar que é possível não ceder a todo e qualquer padrão comercial que se imponha, e que só na lenta maturação hermética de um texto podem albergar-se chaves de leitura para o mundo. Tal como uma das suas personagens, Manuel Alberto Vieira é um autor perigoso, mas “Só é perigoso nas mãos.” (2017, p. 81)».
José Mário Silva
crítico literário
«[...] O universo de Manuel Alberto Vieira [...] é um modo de simulacros e fantasmagorias, um palco onde as pulsões mais obscuras se materializam, para logo se dissiparem como poeira levada pelo vento [...] textos poderosos, obsessivos e claustrofóbicos, para os quais podemos olhar como deflagrações de uma energia negra, raríssima na ficção portuguesa [...].»
Luís Mourão
professor e crítico literário
«Teatro Vertical é um diagnóstico cruel sobre a nossa incapacidade atual de vivermos para lá dessa desilusão que se torna assassina. E cruel, sobretudo, porque mostra quanto essa desilusão e suas consequências são, isso sim, escolha nossa. Eis o que a literatura pode fazer: tornar mais difícil mentir a nós mesmos.»

fotografia

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this is not america

silence

música

© manuel alberto vieira